Blumenau, 07 de janeiro de 2009.
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11/11/2008
Terceirização: necessidade ou estratégia?

Avelino Lombardi Junior

A terceirização de serviços há muito é marginalizada por comportamentos isolados de empresas que não poderiam estar no mercado, visto que não tem a noção exata do que é terceirização de serviços, ou então não dão a devida importância para o assunto. O negócio é atender o numero de horas previstas no contrato e pronto!

Nesta hora devemos nos perguntar:

 - Para que serve a terceirização de serviços?

- Porque contratamos alguém para fazer um serviço que aparentemente poderíamos ter contratado um funcionário para gerenciar uma equipe que faria tal trabalho?

A resposta é especialização.  Mas, uma empresa para ser especialista deve ter uma série de requisitos como:

- Estrutura adequada de atendimento;

- Equipamentos;

- Suporte ao Funcionário que está no posto de Serviço;

- Conhecimento profundo (técnico e profissional) sobre o serviço prestado;

Colocar pessoas usando um uniforme com aptidão física para o trabalho, esperando que as ordens sejam dadas, de forma alguma pode ser considerado terceirização. O planejamento, alocação de recursos, acompanhamento e entrega do serviço prestado são etapas mais importantes do que a simples contratação de pessoas.

Os setores público e privado têm sofrido muito com as contratações de serviços, principalmente o público, porque sendo elas pelo menor preço, em muitos casos excluem empresas que efetivamente teriam a condição de atender o serviço da forma mais adequada. Em outros, obrigam as empresas idôneas a trabalhar com um custo abaixo de suas perspectivas, trazendo problemas financeiros.

O reflexo disso são alguns incidentes e problemas de qualidade e idoneidade relacionados ao setor de serviços. Estes problemas são decorrentes de contratações mal feitas e de fiscalização precária dos tomadores, principalmente do setor público. Temos diversas empresas de Serviços de Asseio e Conservação e Segurança em Blumenau e Região, com sede, estrutura, supervisão, comunicação e carinho pela nossa cidade, porém as mesmas não conseguem competir com empresas que somente fornecem MÃO-DE-OBRA!

A mão-de-obra é uma parte importante do serviço, mas a sua administração, orientação, mecanização e suporte são tão importantes quanto ela. Não adianta JOGAR um numero de pessoas na mão do contratante e esperar que o mesmo tenha a condição de gerenciar um processo que exige um conhecimento específico.

No passado outros incidentes envolvendo até mesmo a iniciativa privada mostraram o descaso ou falta de conhecimento  do setor de serviços por parte de alguns contratantes. Empregados sem registro, pagamentos errados, sem recolhimento de impostos e com enormes irregularidades, até mesmo comprometendo a segurança do trabalhador, já foram alvo de fiscalizações que penalizaram os envolvidos. Mas é muito comum encontrarmos pessoas “PENDURADAS” limpado fechadas e estruturas de alto risco, usando equipamentos e produtos sem a devida proteção, fazendo determinado trabalho sem o mínimo de treinamento e recebendo de forma informal, as vezes “DO PRÓPRIO CONTRATANTE”.

Na segurança o caso se repete: uma verdadeira legião de VIGIAS informais “toma conta” de propriedades e vidas, sem o menor preparo ou suporte! Soluções enganosas que aos olhos do consumidor parecem de alguma valia, ferem os olhos de especialistas que sabem que aquilo não passa de conversa fiada. É a mesma coisa que se auto medicar, um dia você toma algo que ao invés de curar piora a situação.

Mas o que fazer?

Existem vários mecanismos de proteção que tanto o setor público quanto o privado podem fazer uso. Um mecanismo pouco usado pelo setor público, que o setor privado o exerce em parte é a fiscalização. Os editais e contratos públicos estão evoluindo gradativamente, começam a ter cláusulas que penalizam os maus prestadores de serviços, mas falta ainda uma efetiva fiscalização e punição destes contratos de forma mais abrangente. Já existem alguns casos de penalização das empresas prestadoras, mas ainda não atingimos a fiscalização ideal.

Outro mecanismo que pode principalmente ser usado pelo setor privado é uma criteriosa investigação antes da contratação.

- Quem são os clientes desta empresa?

- Quem é o responsável técnico pela administração e pela operação?

- Qual a qualificação destes profissionais?

- Onde fica a sede da empresa?

- Quais leis regem o seu segmento e o que estas leis determinam?

- Qual a documentação eu devo exigir no ato da contratação e mensalmente?

É comum vermos empresas de diversos setores trabalhando com pseudo-prestadores de serviço que compram produtos químicos sem licença, equipamentos de proteção inadequados, comprometendo até mesmo a saúde e imagem do seu negócio sem nem mesmo perceber este risco. Somente uma empresa especializada pode atender as demandas de qualquer setor respeitando a normatização e legislação, trazendo eficiência e qualidade no trabalho, bem como segurança ao tomador, que precisa da terceirização como apoio estratégico para focar-se no seu produto final, ao invés de se preocupar com a complexidade de tarefas que podem ser executadas por especialistas.

Enfim, a grande parte dos problemas ligados ao setor de serviços passa pela orientação do tomador na contratação de empresas que possuam as qualidades aqui descritas. Algumas entidades e órgãos reguladores podem auxiliar nesta orientação basta que os tomadores se preocupem em selecionar com mais critério de qualidade as empresas fazendo uso dos diversos canais de consulta como:

- ACI´S Associações Empresarias.

- Núcleos Setoriais – Na ACIB – Núcleo das Empresas de Segurança Privada, Asseio e Conservação.

- SEAC/SC Sindicato das Empresas de Asseio e Conservação de SC .

- SINDESP/SC Sindicato das Empresas de Segurança Privada de SC.

- Ministério do trabalho (cartinha do tomador de serviços).

- CDL

- AMPE

- Clientes das empresas a serem contratadas.

- Polícia Federal (no caso da Segurança)

- CRA/SC Conselho regional de Administração (toda empresa de serviços deve ter um responsável técnico pela sua administração)

- Outros conselhos conforme a atividade: Ex: Segurança eletrônica (CREA)

 

*Avelino Lombardi Junior é coordenador do Núcleo de Segurança Privada, Asseio e Conservação da Acib

 

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