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18/02/2005
Macacos não têm compromissos

Marcos Corrêa

O trabalho está sendo reinventado. Hoje não basta o ?bom emprego? para o cidadão manter-se digno e participante da sociedade. Esqueça o perfil do funcionário isolado em sua mesa, cumpridor de ordens, não inventivo e não participativo. A empresa clama o envolvimento real de seus colaboradores. Em jogo, a sobrevivência das corporações.

 

Nem sempre foi assim, convenhamos. Antes da democratização do conhecimento proporcionado pelas novas tecnologias, bastava você cumprir seu ?horário? e sua carga de ?obrigações? que satisfizesse seu chefe - que na maioria das vezes você concordava -, e isso era garantia de uma jornada eterna nas cooperações. Criaram-se, com isso, departamentos isolados que ignoravam o todo, a plena capacidade da organização de enfrentar tempos em um mercado cada vez mais disputado e duro. Só se estabelece em um mundo sem fronteiras quem alimenta a cultura da curiosidade, inventividade e abertura com seus colaboradores. A empresa é um todo, representada por cada camisa suada no final do dia.

 

Pois as empresas só existem, de fato, quando mantêm seu corpo de funcionários, sintonizado com esses objetivos e conceitos. Na bonança e nas dificuldades. A sensação do primeiro dia de emprego, onde o novo colaborador quer mostrar a que veio, deve ser uma constante: no primeiro ano ou na primeira década. Não cabe mais no ambiente corporativo o profissional que deixa o mundo passar na janela de sua sala e acha que a situação de ?estabilidade? é eterna.

 

Precisamos dos descobridores. Dos inventivos. Daqueles que não se conformam com os processos utilizados, que criam outros, que enxergam que algo está errado, que discordam da chefia trazendo argumentos e idéias que aprimorem a qualidade de nossos produtos e serviços e nos consagrem mais ainda perante o mercado. A empresa precisa daqueles que pensem e ajam para o coletivo, na paixão do trabalho em equipe.

 

Ficar esperando que caia na cabeça oportunidades que dêem visibilidade ao seu trabalho, ou usar de artifícios não sintonizados com um mundo em mutação, onde mentiras são descobertas e rechaçadas por uma nova sociedade com acesso irrestrito à informação, é estar condenado a ser atropelado por profissionais com a metade da idade e o dobro da capacidade. A empresa precisa desta capacidade para estar preparada para o futuro.

 

Domenico de Masi, pensandor italiano que vem apresentando uma série de novos conceitos e experimentos de uma nova era que domina as discussões das corporações, é bem direto e franco em relação a esse assunto. Diz ele: ?Na sociedade empresarial a maioria das funções de trabalho exigia pouquíssimas aptidões profissionais. Mesmo um macaco poderia trabalhar na linha de montagem. Na sociedade pós-empresarial a maioria das funções de trabalho exige notáveis aptidões intelectuais.?

 

E aí? Vai ficar parado esperando e assistindo essas mudanças, ou vai fazer algo por você e pela equipe em que você atua?

 

Marcos Corrêa é 6 Sigma Black Belt da Electro Aço Altona e integrante do Núcleo da Qualidade da Acib.

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