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17/04/2008
A mulher no mercado de trabalho e seus desafios

Zalfa Benites

A valorização e a conscientização da mulher em nossa sociedade vêm acontecendo através do espaço ocupados em todo o seguimento. Esta é uma verdade que não pode mais ser negada. Essa conquista se deu pela força da mulher, que busca enfrentar o mercado de trabalho e a luta contra o preconceito e a cultura que a mulher tem que ser submissa. Pelos índices apresentados pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o número de mulheres atuantes cresceu cada vez mais, chegando a cerca de 50 milhões delas no mercado de trabalho.

 

Outros dados apontados em estudo realizado recentemente pelo instituto de pesquisas GEM (Global Entrepreneurship Monitor) confirma essa realidade apresentada pelo IBGE e vai mais longe. As mulheres brasileiras estão em quarto lugar no ranking mundial de empreendedorismo, à frente de emergentes como o Chile e de potências como os Estados Unidos e a França. Então, o espírito empreendedor se manifesta na mulher na mulher brasileira diferente do homem? Será que usa atributos essencialmente femininos (como sensibilidade e intuição) na hora de se lançar em um novo negócio ou mesmo implantar um projeto na empresa que trabalho? Isso faz dela uma empreendedora nem melhor, nem pior, mas diferente de seu colega homem?

 

Segundo a pesquisa, o que leva a brasileira a empreender é principalmente a necessidade. Mais da metade das entrevistadas (58%) partiu para o próprio negócio para ajudar nas despesas da casa. Ou seja, são milhões de brasileiras que além de executarem as tarefas de casa iniciaram um negócio próprio, muitas vezes depois de cumprir oito horas de trabalho regular. Por que, estão depois de tanto fazer as mulheres ainda têm ânimo para fazer decolar seu próprio negócio?

 

Podemos atribuir esse crescimento não somente aos fatores econômico e trabalhístico, mas também ao social. Nos dias atuais, a tendência é a mulher casar mais tarde e, conseqüentemente, ter filhos mais tarde. Diminuindo assim à fecundidade e aumentando a participação feminina no mundo coorporativo.

 

Mesmo a mulher, em média precisar de quatro anos a mais de escolaridade em relação ao homem para alcançar o mesmo nível salarial no trabalho, sua dedicação aos estudos permitiu que ela passasse a ocupar cargos de prestígio dentro de grandes empresas, que antes eram destinados exclusivamente aos homens. Contudo, a discriminação social ainda é muito significativa. No exercício da mesma função e cargos semelhantes, o homem tende a ganhar maior remuneração em relação à mulher.

 

Somente a mudança da visão cultural, que separa o homem e a mulher, fará com que se alterem os conceitos preconceituosos que são impostos ao trabalho das mulheres e as competências passarão a ser priorizadas, e não os gêneros.

 

É preciso que haja a inserção da mulher no mercado de trabalho de forma igualitária, pois sendo ela a geradora, cuidadora e educadora da sociedade, precisa ser respeitada e valorizada profissionalmente.

 

Zalfa Benites é professora, empresária, integrante da Câmara da Mulher Empresária da Acib, presidente do Conselho Estadual da Mulher Empresária da Facisc e vice-presidente Sul do Conselho Nacional da Mulher Empreendedora da CACB.

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