No dia 20 de julho comemorou-se o aniversário de nascimento do brasileiro Alberto Santos Dumont, o Pai da Aviação. Neste mesmo dia, em 1969, tivemos um fato histórico em nosso planeta, quando Neil Armstrong desembarcou da Apollo 11 para, pela primeira vez, visitar a Lua.
Passados 109 anos desde os primeiros experimentos com os balões de Santos Dumont, o mundo tem acompanhado um desenvolvimento fantástico da tecnologia aeronáutica e espacial. Há poucos dias, a Boeing, tradicional fábrica de aviões que nasceu de um pequeno estaleiro de construção de barcos em Seattle, nos Estados Unidos, lançou o mais moderno avião comercial do mundo: o Boeing 787 chamado de “Dreamliner” e dotado da melhor tecnologia na sua estrutura e turbinas.
Neste mesmo momento, contabilizamos as vítimas do pior acidente aéreo no Brasil. Tragédia esta anunciada, uma vez que o Aeroporto de Congonhas, saturado pelo crescimento da aviação comercial em nosso país, estava sendo alvo até de ações da justiça para ter suas operações restringidas em função da incapacidade de ampliação da área de operações daquele aeroporto.
A autorização para operações da recém reformada pista de pouso do Aeroporto de Congonhas foi sem dúvida um ato de irresponsabilidade de nossas autoridades, pois liberar aquela pista sem as devidas ranhuras que facilitariam o escoamento de água é praticamente a mesma coisa que colocar sabão em pó no convés de um porta-aviões.
Nós também temos um “Congonhas” no Aeroporto de Navegantes. Guardadas as devidas proporções, já tivemos ali inúmeros acidentes que levaram aeronaves para fora da pista. Um deles quase se transformou em uma grande tragédia, quando em 20 de dezembro de 2003, sob forte chuva, um Boeing 737-700 foi parar em um milharal após bater no muro daquele aeroporto, felizmente sem vítimas.
Se de um lado a tecnologia das aeronaves avança a passos largos, nossa infra-estrutura esta engessada, ou melhor, encaixotada. Em Navegantes, por exemplo, a instalação do VOR, equipamento que aumenta a segurança de pousos e decolagens, está sendo prometida há quatro anos. O equipamento está tomando pó em um depósito do aeroporto assim como paradas também estão as desapropriações para a expansão do mesmo... Daqui a pouco será tarde demais.
Dagoberto Blaese Junior é agente de viagens e integrante do Núcleo de Agências de Viagens e Turismo da Acib.