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07/07/2009
Desafios para o setor de TI em Blumenau

Charles Schwanke

Recentemente participando do workshop “Desafios e Oportunidades para a Indústria de Software e de Serviços de Informação no Brasil e na Argentina”, que é um dos projetos que compõem o programa de pesquisa em Economia do Conhecimento na América Latina e no Caribe. O programa é financiado pelo International Development Research Centre do Canadá (IDRC) e coordenado pela Facultad Latino-Americana de Ciencias Sociales (Flacso). Foram estudados, apresentados e discutidos oitos casos de clusters de software: Córdoba, Rosario (Argentina), Blumenau, Hortolândia, Porto Alegre, Petrópolis, Recife e Salvador (Brasil). São territórios onde existem políticas explícitas para o desenvolvimento da indústria de software; onde as relações entre empresas transnacionais e empresas locais puderam ser verificadas; e onde havia potencial de cooperação entre universidades e empresas.

 

Três questões foram destacadas na pesquisa, no que se refere aos aspectos econômicos e institucionais de clusters de software e serviços de informação (SSI) e seus impactos no desenvolvimento local. Em primeiro lugar, foram examinadas as forças motrizes por detrás da localização de empresas multinacionais de SSI. Várias regiões desenvolveram políticas para atrair estas empresas, mas poucas tiveram sucesso. Em segundo lugar, foram focados os efeitos de rede existentes nas relações entre empresas de grande e pequeno porte, universidades e centros de pesquisa, buscando investigar se o conhecimento gerado nestas relações é capaz de ser transmitido ao território, favorecendo processos de inovação.

 

Em terceiro lugar, foram examinadas as perspectivas de desenvolvimento das empresas de SSI. Foi observado que as políticas destinadas a promover a indústria de software em geral têm como objeto a criação de postos de trabalho qualificados, para desenvolver as competências tecnológicas locais e produzir externalidades positivas mediante o fortalecimento das relações entre empresas e entre estas e as instituições locais. Dentre os casos apresentados destacou-se o cluster de Blumenau que foi destacado pela sua estrutura de governança com um grande grau de articulação e relações entre empresas, Universidades e instituições públicas e privadas do Município e Estado.

 

Da mesma forma foi destacada a cultura associativa que permite a cooperação entre as empresas e com uma base empresarial bem estabelecida com mais de 500 empresas de informática em uma população de 300 mil habitantes: 1 empresa para cada grupo de 600 habitantes. Um índice per capita invejável se compararmos com outras cidades e capitais brasileiras.

 

No estudo também foi analisado a implantação da empresa alemã T-Systems em Blumenau. Porque ela se estabeleceu em Blumenau e não em outra cidade brasileira? Os motivos que levaram a empresa a se estabelecer em Blumenau foram a base empresarial já instalada, a cultura e o idioma alemão e o Programa Entra 21 que a Blusoft desenvolve na cidade e que capacita jovens provenientes de famílias de baixa renda para o mercado de tecnologia da informação.

 

Até o final de 2009, 1.040 jovens terão se formado neste programa com taxa de empregabilidade superior a 80%. O programa minimiza a carência de mão de obra e permite que o setor cresça e atraia investimentos de empresas de fora do território. Em todos os outros clusters estudados existe a carência por mão de obra. Blumenau consegue, desta forma, encontrar uma saída inteligente onde o programa conta com o apoio importante da Prefeitura de Blumenau, do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e da classe empresarial local.

Charles Schwanke é diretor executivo da Acib e professor universitário

 

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