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30/10/2017
O ser-professor: redefinindo papéis

Autor: Dra. Ana Paula Kuczmynda da Silveira, diretora geral do câmpus Gaspar do IFSC

Com certeza o dia 15 de outubro, data que eternizamos como Dia do Professor, traz-nos motivos para celebrar @s professor@s, para congratulá-l@s, mas, sobretudo, incita-nos a refletir, e muito, sobre educação – mais, sobre educação escolar.

A educação escolar corresponde ao ato consciente e consequente de mediar a construção de saberes nos espaços escolares. Sublinhamos que mediação não é transmissão, nem formação – é processo ativo de construção que envolve, obrigatoriamente, a relação estudante, professor e conhecimento. Mas, de forma mais ampla, envolve a microcultura em que esse estudante se constitui e da qual não pode ser apartado e a macrocultura com a qual a comunidade escolar e aquela para além dos muros da escola dialogam.

Historicamente, a escola trabalhou os saberes científicos, porém mais do que uma redução, essa prática representa um perigoso processo de exclusão, negação e silenciamento de outros saberes, talvez tão importantes quanto os científicos para a construção do sujeito consciente, crítico e reflexivo, capaz de agir sobre o mundo e transformá-lo. Cabe ao professor trazer para os espaços de aprendizagem o diálogo vivo e concreto com os saberes construídos para além da escola ou da academia – os saberes populares, os especializados (do mundo do trabalho), os do universo da cultura, entre outros. O que inclui pensar as vivências dos estudantes, sua língua, seus registros, seus pensamentos, as práticas e valores que lhe são caros e levá-lo a refletir sobre o mundo a partir de novas contribuições, de novos saberes, do olhar da ciência, da tecnologia e da própria escola.

Portanto, educar pressupõe o confronto entre o que cada sujeito é e o que pode vir a ser, pressupõe também a abertura para mudança – o aprender a aprender como ato contínuo em que professor e estudante estão implicados.

Mas envolve também um ato político, político no sentido de que a educação jamais será neutra, porque, na vida, não há espaço para neutralidade. Posicionamo-nos o tempo todo e ser professor envolve uma tomada de posição perante o mundo. Envolve assumir uma postura de resistência contra a ignorância, a desigualdade social, todos os tipos de preconceito e de exclusão. Envolve trabalhar ativamente no empoderamento dos sujeitos que se constituem na escola, para que, empoderados, possam transformar outras realidade em busca de uma sociedade mais justa, mais equânime, mais feliz, mais solidária e onde o desenvolvimento se dê de forma mais sustentável.

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